Pianista nascida em São João da Boa Vista, Guiomar Novaes levou o nome da cidade aos grandes palcos do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos.
Introdução
Guiomar Novaes foi uma das maiores pianistas brasileiras do século XX. Nascida em São João da Boa Vista, construiu uma trajetória internacional que projetou seu nome entre os grandes intérpretes de sua geração e transformou sua história em referência duradoura da memória sanjoanense.
Guiomar nasceu em 28 de fevereiro de 1894, na Rua Santo Antônio, 343 (atual Teófilo de Andrade), em São João da Boa Vista. A própria certidão de nascimento (livro A-3, nº 1.009) traz, por lapso do escrivão, “30 de fevereiro” e não registra o ano: a data convencional — 28 de fevereiro de 1894 — é deduzida do termo, lavrado em 2 de março de 1894, enquanto a imprensa da época chegou a rejuvenescê-la para 1895 ou 1896. Dos dezenove filhos do casal Novaes oito morreram e foram criados onze: Maria Amélia, Jorge, Alice, Anthenora, Tereza, Anália, América, Accacio, Guiomar, Gastão e Aurora. Seu pai, Manoel José da Cruz Novaes, mais conhecido como Manoelzinho, nasceu em Vassouras-RJ, em 1849. Era Major e negociava com café. Seus negócios da cidade de São Paulo foram transferidos para São João da Boa Vista na última década do século XIX. Sua mãe nasceu em Areias.
Certidão de nascimento de Guiomar — o documento que fundamenta a data convencional de 28 de fevereiro de 1894.Retrato de estúdio da pianista já madura, pelo fotógrafo De Bellis, em Nova York.
Origem
A casa era musical de raiz: a mãe, Anna, era pianista e compositora. O pai, Manoel, morreu em 1905, sem chegar a ver os triunfos internacionais da filha. Aos seis anos, antes de Chiaffarelli, Guiomar teve seu primeiro mestre — o professor paulista Eugênio Nogueira.
O casal Novaes deixou São Paulo para visitar os pais e o irmão de Dona Anna, mãe de Guiomar, porém as férias se estenderam e permaneceram mais tempo na cidade, dando tempo de nascer a pequenina Guiomar, e ali ficaram até que ela completasse seis anos (1900). Guiomar Novaes começou a tocar aos 4 anos. Quando “descobriu” o piano, uma força e um encantamento a fazia tocar impulsivamente. Era uma criança musical e quando ouvia outras crianças no jardim da infância cantarem, logo ia para o piano e tocava o que acabara de ouvir.
O pai arranjou um professor para a filha prodigiosa.
Guiomar jovem, em retrato do início da carreira internacional.
Com seis anos sua família mudou para São Paulo e ela começou a estudar piano com Luigi Chiaffarelli, um italiano radicado no Brasil, mestre de toda uma geração de pianistas paulistas. Ele foi responsável por seu tom incomparável, seu legato sem emenda, sua mão esquerda que cantava frases desconhecidas e seu pedal que sustentavam o som como se este estivesse “flutuando” no ar. Em 1902, ainda menina, compôs uma pura e modesta valsa. Aos 8 anos, ela não só tocava profissionalmente como era a grande sensação nas salas de concerto de São Paulo.
Como aluna de Chiaffarelli, apresentou-se a partir de 1902, ano que marca a estreia pública de Guiomar Novaes e quando o jornal “O Estado de São Paulo” publicou pela primeira vez seu nome. A partir dessa data sua estrela resplandecia a cada apresentação, revelando-se ao público e levando o nome do Brasil para os maiores palcos do mundo.
Antes mesmo do prêmio de Paris, Guiomar já acumulava anos de palco: o pesquisador Fernando Binder identificou cerca de cem concertos seus entre 1902 e 1915, em dezesseis cidades. A consagração europeia não foi um salto milagroso da infância para Paris, e sim o fruto de uma longa formação pública — recitais no interior, concertos beneficentes, exposição na imprensa e até financiamento do governo.
Mais de um século depois, essa valsa de infância ainda voltaria aos palcos nas mãos de outros pianistas.
Ainda adolescente, Guiomar Novaes já era conhecida em São Paulo como uma pianista muito inspirada e competente. Isso chamou a atenção dos oficiais do governo brasileiro; recebeu deles uma bolsa por 4 anos de estudos no Conservatório de Paris. Candidatos vieram do mundo inteiro para as duas únicas vagas de admissão e reservadas a estrangeiros no Conservatório de Paris.
Guiomar ao piano — instrumento a que se dedicava desde os seis anos de idade.
No primeiro exame, tocou o Carnaval de Schumann e a terceira Balada de Chopin. Compunham o júri Debussy, Fauré e Moszkowski. A interpretação e a técnica demonstrada assombraram os juízes que tiveram pejo em pedir que a menina, no exame seguinte, repetisse a Balada. O veredicto foi unânime e ante tais examinadores arrebatou o primeiro prêmio!
Por dois anos seguidos, ficou Guiomar Novaes entregue à tutela de Isidor Philipp, (1863-1958) eminente pianista e pedagogo francês e este asseverava expressamente que nada tivera a lhe ensinar: ele, o professor, é que dela tinha aprendido algo da arte de Chiaffarelli que levara pronta do Brasil. Em 20 de outubro de 1909, deu seu Concerto de Despedida em São Paulo.
Guiomar ao teclado, em negativo da coleção Bain News Service (Library of Congress), 1915.
Em 1909, parte para a França para estudar no Conservatório de Paris. A própria Guiomar contou várias vezes um incidente com o professor Isidor Philipp: Executava então uma peça de Chopin, realmente bem: no entanto, deixava margem a sugestões interpretativas. Philipp explicou-me suas ideias. Compreendo — disse a ele e toquei exatamente como antes. Pacientemente, Philipp tudo explicou-me novamente. Compreendo - repeti. Novamente toquei a peça, exatamente como antes.
Após uma terceira repetição desse episódio, Philipp desistiu, completamente convencido de que a minha execução era a melhor, contava ela, rindo de sua ousadia. No término de seu segundo ano de estudo com Isidor Philipp foi agraciada novamente com um Premier Prix du Conservatoire. (Essa medalha e diploma encontram-se no Museu Histórico De São João da Boa Vista).
Programa de recital de Guiomar Novaes no Teatro Municipal de São Paulo, com repertório de Bach a Rachmaninoff.
Ao chegar na França, Guiomar foi convidada para ir à casa de uma compatriota e quando viu a anfitriã ficou surpresa! Era a Princesa Isabel. A princesa ficou emocionada quando ouviu, por Guiomar Novaes, “A Grande Fantasia Triunfal” sobre o Hino Nacional Brasileiro de Gottschalk. Em 1911, Guiomar faz um recital e arrebata público e críticos. Em 5 de julho encerra o curso no conservatório de Paris. Ela conquista o primeiro prêmio com a execução da 2ª Balada de Chopin.
A consagração europeia teve testemunhas ilustres. Na banca do Conservatório, Debussy rendeu-se: “a personalidade mais artística, entre todos aqueles rebentos, é uma jovem brasileira… Não será bela, mas tem os olhos inebriados de música e aquele poder de isolar-se de tudo a que a circunda, que é bem o sinal característico, e tão raro, do artista”. E quando, em 1911, um descuido no relatório do júri deixou seu nome fora do primeiro lugar, o Théâtre de l’Odéon revoltou-se, bradando “Novaes! Novaes! Novaes!” até a correção. Anos mais tarde, em Nova York, o temido crítico James Huneker sentenciaria: “Nem todas as gerações ouvem uma Guiomar Novaes”.
Em 1913, a pianista parte para Milão e em 11 de fevereiro dá uma audição particular no Salão Real do Conservatório. Crítica e público italianos aplaudem Guiomar Novaes. Foi à Suíça e é aplaudida por 3.000 pessoas numa apresentação triunfal em Genebra. Vai ainda para Berlin e Munique na Alemanha. Ela voltou então para São Paulo, no Brasil; o início da primeira guerra mundial, em 1914, adiaria por muitos anos seu retorno aos palcos europeus.
Guiomar na imprensa internacional: retrato publicado na Theatre Magazine, em 1918.
1914. Guiomar retorna à sua terra natal São João da Boa Vista
Retrato de estúdio em Nova York, pelo célebre Bruno of Hollywood — Guiomar apoiada ao piano de cauda.
No dia 21 de fevereiro de 1914, portando uma gloriosa bagagem, Guiomar Novaes reaparece na sua terra, São João da Boa Vista. Não tinha sido a vinda de Guiomar a São João devidamente divulgada e a cidade deixou de promover uma recepção popular, como era de se esperar.
Retrato de estúdio de Guiomar, de 1919.
Por iniciativa do jornal O MUNICÍPIO, reuniu-se no dia seguinte no jardim público um grande contingente de pessoas que, precedidas pela banda de música do Maestro Aquilino e sob o alvoroço contagiante provocado pelos rojões que espocavam no alto, caminharam para avenida D. Gertrudes, até a residência do ativo e sempre festeiro João Osório (atual sede do Palmeiras) onde hospedava a concertista. Foi uma vibrante manifestação pública à nossa mais famosa conterrânea.
Guiomar, falando sobre sua cidade natal disse: " Assim como o tempo da infância é o melhor tempo de nossa vida, a cidade em que nascemos, é o mais belo recanto do mundo. ". Nessa mesma noite, no Centro Recreativo Sanjoanense, ao lado da casa onde ela havia nascido, teve lugar o Concerto de Guiomar Novaes, realizado em benefício das obras da Igreja Matriz de São João.
A cidade em que nascemos é o mais belo recanto do mundo.
Guiomar Novaes
Conta-se que Monteiro Lobato criou a personagem Narizinho inspirado em Guiomar Novaes, a menina prodígio que era sua vizinha.
1915. Guiomar é convidada para tocar nos EUA
Em 1915, aos vinte e um anos — embora o material de divulgação ainda a apresentasse mais jovem —, fez sua estreia norte-americana em 11 de novembro, no Aeolian Hall de Nova York. No dia seguinte, o New York Times publicou a crítica do recital. Em 1921, Guiomar volta aos Estados Unidos: no dia 8 de janeiro apresenta-se no Carnegie Hall e executa “O Concerto em Sol Maior” de Beethoven.
O público, por quinze minutos, fica de pé aclamando-a e aplaudindo-a em uma das maiores manifestações já tidas na América. Desde a estreia de 1915, ela tocaria nos EUA por 57 anos seguidos. Seu último recital em solo americano foi em 1972.
Mundo
Os anos americanos foram de consagração contínua. Em 1916 estreou em Boston, tocou no Festival de Norfolk e, num único concerto, diante de cerca de seis mil pessoas, no Madison Square Garden. Santos Dumont, emocionado, esteve entre os que a aplaudiram em Nova York, e a imprensa a apelidou de “Queen Guiomar”. Em 1934 deu recital no Vassar College. Entre uma turnê e outra, voltava sempre ao Brasil — estreara no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 25 de junho de 1914.
1922. Guiomar Novaes toca na Semana de Arte Moderna
Em 1922, faz um recital na Semana da Arte Moderna, tocando “A Dança dos Gnomos”, de Liszt, para um público que se espremia num teatro repleto de amantes da boa música. Segunda-feira, 13 de fevereiro. O primeiro festival é inaugurado às 20h30.
O tempo nublado e quente irrita as pessoas vestidas de colarinho alto, terno e colete de casimiras e lãs inglesas, modelos copiados de Poiret nos ateliês da cidade, traindo as influências chinesas da moda parisiense. Oswald de Andrade lê alguns poemas com o papel tremendo nas mãos, pois desde que levantou o teatro irrompe em vaias. A cada palavra que Oswald diz, a vaia. Ele acaba depressa e dá lugar a Sérgio Milliet. Ele lê em francês alguns versos, acompanhado por guinchos, uivos e ganidos.
Há calmaria quando Yvonne Daumerie dança e Guiomar Novaes toca piano. No intervalo, Mário de Andrade é apupado e xingado ao falar sobre estética no saguão. A segunda parte é dedicada à música. Três peças de Villa-Lobos são executadas em meio a vaias. O autor, de casaca e chinelo, desperta as iras do público. A violinista Paulina d'Ambrósio chora no palco. A execução de uma peça do compositor francês em que a “Marcha Fúnebre” de Chopin era satirizada, acabou por provocar desentendimentos entre os músicos integrantes da semana.
Catálogo da Semana de Arte Moderna de 1922, da qual Guiomar participou.
Uma nota escrita por Guiomar Novaes, publicada no “O Estado de S. Paulo”, revela a discordância da pianista com relação ao tom de deboche assumido pelo festival, bem como sua total desvinculação com os propósitos do evento: "Em virtude do caráter bastante exclusivista e intolerante que assumiu a primeira festa de arte moderna, realizada na noite de 13 do corrente, no Teatro Municipal, em relação às demais escolas de música das quais sou intérprete e admiradora, não posso deixar de declarar aqui meu desacordo com esse modo de pensar.
Guiomar na imprensa estrangeira: página do Musical Digest, 1924.
Senti-me sinceramente contristada com a pública exibição de peças satíricas à música de Chopin."
1922. Casa com Octávio Pinto
Desde 1909 que Octávio Pinto, colega de escola era seu admirador. Octávio mantinha guardado todos os recortes de jornais que notificavam o brilhante sucesso de Guiomar na Europa. Em 1915, Guiomar Novaes parte para os Estados Unidos. Voltando à saudosa pátria em julho de 1920, mesmo sendo inverno, foi passar alguns dias no litoral.
Guiomar com a mãe, Anna de Carvalho Menezes Novaes, sua primeira incentivadora.Guiomar e o marido, o engenheiro e compositor Octávio Pinto, em registro do Bain News Service (Library of Congress), por volta de 1920.
Octávio informado, foi ao seu encontro, e aqueles dois corações apaixonados se encontraram nas areias da praia do mar. Precisando refletir e se concentrar para preparar uma nova programação, convidou algumas de suas irmãs para irem a Campos do Jordão. Octávio sabendo da viagem, aproveitou a oportunidade para declarar o seu amor, mas, desta vez preferiu as letras ao invés de palavras. Enviou-lhe uma carta de amor. Casou-se em 8 de dezembro de 1922.
Esposa dedicada e verdadeira amante apaixonada, nunca se sentiu oprimida ou em condição de subalterna frente ao marido, mas com grande consideração e sabedoria, aceitou que Octávio fosse também o seu grande incentivador, seu empresário e conselheiro. Engenheiro civil, arquiteto e também compositor, foi o escolhido por Guiomar Novaes para ser seu companheiro, até que a morte os separasse. Após 28 anos de vida em comum, Octávio faleceu na madrugada de 30 de outubro de 1950, de problemas cardíacos.
1923. Nasce sua filha Anna Maria
Registro do casamento de Guiomar com Octávio Pinto, em 1922.
Uma grande emoção para o casal foi o nascimento da tão esperada Anna Maria, em 22 de setembro de 1923, às 17h. Saudável e muito parecida com a mãe. Futuramente viria outra alegria do casal, o filho Luís Octávio.
O auge: gravações e temporadas americanas
Entre os anos 1920 e 1940, na plenitude da maturidade, Guiomar Novaes levou a vida de uma concertista internacional. A partir de 1919 começou a gravar para a Victor, nos Estados Unidos, e ao longo das décadas seguintes fixou em disco a sua sonoridade — de Chopin e Schumann a Beethoven. Voltava periodicamente ao Brasil para recitais, mas era nos palcos americanos que mantinha temporada após temporada, dividindo o programa com grandes orquestras e maestros como Leopold Stokowski e Willem Mengelberg. Sustentou essa carreira entre dois continentes sem deixar de criar os dois filhos, Anna Maria e Luís Octávio, tendo em Octávio Pinto — engenheiro, compositor e seu empresário — o companheiro que organizava viagens, contratos e programações. A consagração não foi um instante: foi um trabalho constante, ano após ano.
1946. Guiomar retorna a São João da Boa Vista
Guiomar entre familiares, em registro informal.
Em 1946, Guiomar Novaes deu novo recital em sua terra natal, dessa vez em benefício da Casa da Criança.
O esperado sucesso coroou a apresentação de um seleto repertório no tradicional Centro Recreativo. No coquetel oferecido no dia seguinte no Centro Recreativo Sanjoanense em nome da Casa da Criança, constituíram homenagens que expressavam com clareza a sinceridade, a alegria e o orgulho da nossa gente pelos triunfos de uma concertista “da terra” nos mais renomados palcos de concerto do mundo. A casa em que Guiomar nasceu ficava numa esquina; foi construída outra em seu lugar.
Guiomar Novaes costumava estudar pela manhã e no escuro, pois achava que favorecia a concentração. Quando se cansava caminhava pelo jardim que amava e se inspirava na natureza. Depois voltava ao trabalho. Dizia: "Tocar piano nunca foi um esforço para mim. Há pessoas que estudam seis, sete ou oito horas por dia. Acho-as admiráveis. Talvez tenham muito mais o que preparar, é natural. Eu nunca estudei tanto tempo; não tenho paciência. Gosto de tocar uma hora ou uma hora e meia e depois olhar para o céu. Mais tarde volto ao trabalho".
Entre suas interpretações mais célebres estava a Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Louis Moreau Gottschalk.
Uma visita a Guiomar Novaes
Conta Teófilo Ribeiro de Andrade Filho, da Academia de Letras de São João, cujo pai comprou a casa da família Novaes: “Há muitos anos, já em fim de carreira, Guiomar Novaes deu um recital de piano no Teatro Municipal de São Paulo.
Logo que li o anúncio no jornal, resolvi comparecer ao evento, não só para ouvi-la - o que já seria bastante compensador - mas também para conhecê-la pessoalmente, pois desde criança estava familiarizado com sua fisionomia, bonita e simpática, em um porta-retrato que ficava em cima do nosso piano, na casa velha de São João, e cuja fotografia continha afetuosa dedicatória da artista, endereçada a meu pai.
E lá fui eu, tranquilo quanto à excelência da música que deveria me encantar - o que realmente aconteceu - mas um tanto inseguro quanto ao êxito do segundo motivo da minha ida - o encontro. Afinal, não seria pretensão minha - querer cumprimentá-la pessoalmente? Figura artística de renome internacional, ela teria uma legião de admiradores mais credenciados que desejariam fazer o mesmo.
Reconhecimento
Assim, após o extraordinário sucesso da recital, com palmas e “bravos” intermináveis e inúmeras cestas e corbeilles de flores encaminhadas ao palco, quando o pano baixou, dirigi-me, entre apreensivo e esperançoso, ao camarim, onde a grande artista recebia os cumprimentos. Já havia uma fila, mas quando chegou a minha vez e declinei nome e identidade sanjoanense, a reação dela foi simplesmente surpreendente, abriu um largo sorriso e disse: "Filho do Dr. Theophilo, da minha São João, que prazer, que saudade.
Vá me visitar, quero lhe mostrar minha casa." Coisas assim. Ainda havia pessoas na fila, beijei-lhe as mãos e saí, encantado! Pouco depois, Guiomar aquiesceu em dar um recital em São João, cuja renda reverteria em benefício da Casa da Criança. Solicitado a colaborar nos preparativos para o evento (dia e hora, condução, hospedagem, etc.), lembrei-me do “convite” do Teatro Municipal, telefonei e às 16 horas em ponto lá estava, na rua Pará, bairro de Higienópolis, na casa de Guiomar Novaes.
Recebeu-me com muito carinho, mostrou-me a casa, os diversos pianos, um dos quais todo marchetado, muito bonito, as muitas obras de arte, os álbuns, as fotos, as lembranças das tournées pelo mundo afora, Estados Unidos, Canadá, Europa. Falou-me de seu amor e da sua saudade por São João da Boa Vista. Enfim, uma mulher que atingiu o ápice da fama e não perdeu a cordialidade. Assim, mais uma vez, despedi-me encantado.
O recital de piano de Guiomar Novaes, em benefício da Casa da Criança, realizou-se no Centro Recreativo, e foi um sucesso extraordinário. Casa cheia e gente de toda região. Os aplausos explodiram quando ela terminou, como quase sempre, com a peça que lhe deu notoriedade no Rio de Janeiro em 1908: a Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Louis Moreau Gottschalk. Guiomar Novaes.
Guiomar na imprensa: recorte da Folha da Manhã, de 15 de outubro de 1943.
Acho que aquele porta-retrato da minha infância ainda continua em cima do piano na nossa casa velha, na esquina da Rua Theophilo de Andrade com Rua São João, onde nos primeiros albores do século XX meu pai comprou a casa do seu amigo e pai de Guiomar, que tinha uns cinco ou seis anos. A casa foi demolida e no local edificou-se a de nossa família, que ainda lá está.”
1963. Guiomar Novaes na ONU
Em 1963, Guiomar Novaes é convidada especial para representar a América Latina na comemoração do 15º aniversário da Declaração dos Direitos do Homem, promovida pela ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.
1967. Guiomar a tocar em Londres
Após 42 anos sem tocar em Londres, foi ovacionada por quinze minutos ininterruptos, por onze mil pessoas que exigiram quatro bis, no recital de inauguração do Queen Elizabeth Hall.
Guiomar em caricatura de imprensa, pela mão do cartunista norte-americano Edwin Marcus.
A casa da Rua Ceará, em São Paulo, e o automóvel Chevrolet 1931 ficaram como lembranças desses anos de glória.
Comendas
Guiomar Novaes recebeu do governo francês a Comenda Légion d'Honneur em 1939 e do governo brasileiro, a Ordem do Cruzeiro do Sul em 1956, entre outras.
Momento de inspiração
Programa de recital de Guiomar Novaes no Cine São Jorge, em Ribeirão Preto, em 12 de agosto de 1955.
Quando Guiomar Novaes revisitou Londres, em 1925, um jornal explicou: “Buscar descrever o que foi o recital da pianista brasileira seria a mesma coisa que tentar definir para um cego o que é a luz do sol”.
Assinatura de Guiomar Novaes.
Seria a mesma coisa que tentar definir para um cego o que é a luz do sol.
Crítica de Londres, 1925
Outro retrato de Guiomar, do período de consolidação internacional (1919).
Guiomar Novaes possuía a virtude particular de transmutar as sonoridades do piano, conferindo-lhes, como através de ilusionismo vibratório, timbres que podiam reproduzir os caracteres de inumeráveis instrumentos e corpos sonoros. Os de órgão em Bach; os de flauta em Gluck; os de flautins e tambores na marcha alta turca de Beethoven/Rubinstein; os de uma orquestra acolá; no Capricho de Saint-Saëns/Gluck, os de celesta, os de pequenos sinos, os de caixinha de música.
Era capaz de extrair efeitos “miraculosos”: os sons de certas notas, de certos blocos, avolumam-se depois de serem eles atacados; crescem após serem feridas as cordas! É precisamente o que se observa com nitidez no acorde que abre o concerto nº 4 de Beethoven, em sua gravação: o som, apesar de murmurante, se encorpa com o viço e vigor, depois de serem tocadas as notas.
A espetacular Cadenza do Primeiro Movimento deste Concerto, a par das demais peças de Bach, Gluck, Saint-Saëns, Beethoven/Rubinstein, é uma execução, que, exemplifica melhor e mais completamente aqueles predicados, tanto os de escola quanto os de talento particular.
Fenomenal talento, de resto, que ela possuía para sublimar a natureza bruta do processo de produção do som no piano, transfigurando-o, bem como para subjugar as forças antagônicas que consistem o Ritmo, jogando com elas, flexível mais equilibrante, e com isto tudo infundido no ouvinte um êxtase que é como um bafejo do absoluto. (Arnaldo Senise)
Um êxtase que é como um bafejo do absoluto.
Arnaldo Senise
A arte de interpretar música brasileira
A arte tem muito mais amplitude e o compositor brasileiro que tem a sua personalidade, que cria música pura, não deixa de fazer uma arte brasileira, embora prescindindo do que lhe oferece o populário nacional.
Sua brasilidade sempre se fez presente onde quer que estivesse. Não faltaram convites e mesmo insistentes para que se tornasse cidadã norte-americana, mercê do prestígio que goza na grande nação do norte. Acenaram-lhe inclusive com os impostos altíssimos que é obrigada a pagar, na qualidade de estrangeira, mas teima em conservar sua nacionalidade brasileira.
Sua maneira de interpretar, sua forma elegante de tocar ante as mais sofisticadas plateias do mundo inteiro, encontrará a mesma simplicidade desta “Grande Dama do Teclado”, ao fazer soar no piano, as vozes de nossos autores, ombreando-os àqueles nos quais Guiomar Novaes se consagrou.
Memória
Brasileira na escolha de repertório, brasileira na forma de interpretar, brasileira ainda por fazer um disco de autores exclusivamente nacionais dentro do Brasil, com exceção, é claro de Louis Moreau Gottschalk (1829–1869), norte-americano que morreu no Rio de Janeiro, apaixonado de nossa terra e nossa gente a qual homenageou da forma que só um artista poderia fazê-lo compondo a “Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro”, e que Guiomar Novaes se encarregou de forma soberba, de fazer conhecido em todo mundo! (Carlos Gonzáles)
Sua leitura da Sonata em si menor de Chopin — Scherzo e Lento — é uma das gravações que perpetuam seu fraseado.
A mãe Anna e o reconhecimento do mundo
Anna de Carvalho Menezes Novaes, mãe e companheira de Guiomar, foi a principal figura na formação da personalidade musical da pianista. Era pianista e compositora, mulher religiosa e culta, que acompanhou, incentivou e abençoou a carreira da filha enquanto pôde.
O respeito e o sucesso conquistados em todo o mundo transformaram a pianista numa das mais adoráveis representantes da cultura do país, a ponto de receber uma carta do presidente Eisenhower ressaltando o quanto ela contribuíra para estreitar as relações culturais entre o Brasil e os Estados Unidos. Ela promovia o país e os artistas brasileiros, como Bidu Sayão e Villa-Lobos.
Em 1953, Guiomar escreveu ao recém-criado Conservatório Musical de São João da Boa Vista, fundado pela professora Mirian Pipano e pelo Dr. Octávio Pereira Leite.
Tampouco se esqueceu da juventude de seu país:
S. Paulo, Julho 10, 1953 457, rua Ceará Exmo Snr.
1977. Guiomar é homenageada em sua cidade natal com uma Semana com seu nome
A Semana Guiomar Novaes criada em 1977, vai muito além de uma homenagem a esta pianista. Trata-se de resgatar a nossa memória cultural e mostrar os nossos melhores músicos e compositores. Desta forma, entra-se no espírito da nossa pianista: o de incentivar novos talentos.
A Semana Guiomar Novaes é realizada em São João da Boa Vista, cidade natal da pianista, interior do Estado, numa parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e a prefeitura. O evento “Semana Guiomar Novaes” se tornou ao longo do tempo referência e tradição artística e musical e é considerado o segundo maior espetáculo cultural do Estado de São Paulo, ficando atrás apenas do Festival de Inverno de Campos do Jordão.
O pianista Nelson Freire reverenciava em Guiomar Novaes uma das grandes mestras do instrumento: herdou dela um piano Steinway e a chamava de “mãe musical”; ela, por sua vez, o apelidara de “pequeno Rubinstein”.
Dr. Octávio Pereira Leite, Saudações- Foi com a mais viva emoção que tomei conhecimento dos generosos propósitos do grupo de pessoas de boa vontade que, com a cooperação valiosa do Snr. Maestro Ziggiatti e de V. Excia., desejam dotar S. João da Boa Vista – a minha querida terra natal – com um Conservatório Musical.
A razão desse empreendimento é perfeitamente justificável e plausível como eu desejava fosse também a ideia apresentada de dar-lhe o meu nome que, infelizmente, não tem méritos para receber tão grande honra – pois não sou artista criador, como tantos que ilustram a literatura musical e sim uma modesta intérprete que sempre contou com a benevolência dos críticos, do público, de meus patrícios e do carinho de meus conterrâneos sanjoanenses.
Tamanhas são as suas delicadezas e atenções que neste momento me obrigam a resignar-me ante esta homenagem que generosamente me prestam, embora reconhecendo que ela ultrapassa, em muito, os merecimentos que a bondade de seus corações insistem em me atribuir. Imensamente reconhecida por tão alta dignidade a que me elevam, aproveito o ensejo para afirmar a minha estima aos meus conterrâneos e os mais sinceros votos de felicidade e prosperidade a essa magnífica obra. Respeitosamente Guiomar Novaes Pinto
Guiomar também gravou o Noturno em lá maior, op. 32 nº 2, de Chopin.
1979. Morre Guiomar Novaes aos 85 anos de idade
Na noite de 7 de março de 1979, Guiomar faleceu em sua residência na rua Padre João Manoel 1178, em São Paulo, vítima de enfarto do miocárdio. Seu velório foi na Academia Paulista de Letras. Depois de uma vida inteira dedicada à música, ela foi enterrada ao som da Marcha Fúnebre de Beethoven, executada pela Orquestra Sinfônica do Estado, sob a regência do maestro Eleazar de Carvalho. Foi sepultada em 8 de março no Cemitério da Consolação. Foi uma das mais notáveis pianistas de todos os tempos.
Sua maneira de tocar foi inigualável. Suas escalas e seus trinados ficarão para sempre. Guiomar Novaes soube aproveitar as circunstâncias favoráveis que se apresentaram, se tornando protagonista de uma ventura singular e apaixonante - sua própria vida.
O nome de Guiomar permaneceu vivo em sua cidade. A Semana Guiomar Novaes, criada em 1977, segue como um dos maiores eventos culturais do estado — a 48ª edição, em 2025, reuniu cerca de doze mil pessoas. Em 2024 celebraram-se os 130 anos de seu nascimento; sua certidão fixa 1894, embora a imprensa da época, encantada com a menina prodígio, a rejuvenescesse para 1895 e até 1896. Sua arte foi ainda tema de dois documentários: o de Olívio Tavares de Araújo (1978) e Infinitamente Guiomar Novaes, de Norma Bengell (2003).
Parte do que se sabe hoje sobre sua intimidade veio de um resgate improvável: em agosto de 2018, recortes, fotografias, cartas e programas de concerto que uma amiga guardara por décadas foram parar numa caçamba de entulho, em Piracaia. Um pequeno grupo de moradores salvou o material do lixo, à noite; por intermédio de Nelson Freire, o acervo chegou ao Instituto Piano Brasileiro, que o digitalizou e catalogou.
As mãos de Guiomar Novaes Pousadas sobre a cidade! Sobre teclados noturnos! Sobre teclados noturnos! E da cidade elas partem Dedos-pássaros viajeiros, Mãos encantadas formando A geografia do som, Anjos de amor percorrendo O tempo dos corações, Momentos de eternidade Iluminando caminhos!
Ave Guiomar som e luz Em vosso gesto-presença, Tocai-nos com vossa graça, Guardai-nos em vossa arte, Transfigurai-nos em música Vivida por vosso dom, Na glória tão generosa Que espalhastes pelo mundo! Nesta noite, neste palco, No altiplano da Avenida, A palavra dos amigos, A alma de nosso povo, E o coração da cidade Marcado pelo tempo; Ave Guiomar tão paulista Ave Guiomar do Brasil! Paulo Bonfim
Cronologia
Guiomar Novaes nasce em 28 de fevereiro na cidade de São João da Boa Vista-SP.
Aos seis anos, em maio, acompanha ao piano os cantos na festa do Jardim da Infância de São Paulo; no dia seguinte, o Correio Paulistano cita seu nome — a primeira menção conhecida de Guiomar na imprensa.
Em 24 de maio, no Salão Steinway, faz sua primeira aparição conhecida como discípula de Chiaffarelli, tocando a quatro mãos com o mestre uma sonatina atribuída a Beethoven.
Como aluna de Chiaffarelli, apresentou-se a partir de 1902 até 1909, quando foi para Paris na série de programas Saraus Musicais, organizados pelo mestre.
Tietê recebe a menina Guiomar e se curva diante da execução da 10ª Rapsódia Húngara, de Liszt, dos Arabescos, de Schumann e do Noturno opus 55, nº 1.
Tocou em São Paulo durante o ano todo a "Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro" que fez com que o nosso país ficasse mais conhecido no exterior. Em 10 de dezembro apresentou o mais longo programa até então.
A imprensa paulistana exalta Guiomar Novaes e ela colabora em vários concertos de cantores e violinistas além dos Saraus Artísticos organizados pelo Chiaffarelli.
Continua o sucesso em São Paulo e conquista o público carioca.
Alunas oferecem um sarau musical para homenagear o professor Chiaffarelli em seu aniversário. Em 26 de outubro Guiomar parte para a Europa a fim de completar seus estudos no conservatório de Paris. No Conservatório de Paris havia centenas de candidatos e apenas duas vagas de admissão reservadas a estrangeiros. Guiomar realizou a primeira prova em 18 de novembro e tocou para uma comissão julgadora formada por célebres músicos como: Claude Debussy, Gabriel Fauré, Moritz Moszkowski, Widor e Lazare-Lévy. Recebeu um elogio extraordinário.
A imprensa francesa começa a divulgar seu nome e as críticas maravilhadas de grandes músicos da época.
Guiomar faz um recital e arrebata público e críticos. Em 5 de julho encerra o curso no conservatório de Paris. Ela conquista o primeiro prêmio com a execução da 2a Balada de Chopin.
Em 11 de fevereiro Guiomar participa de uma audição em Paris onde executou o Concerto em Ré Menor de Mozart. Em maio foi para Londres onde firmou-se no cenário artístico rapidamente como uma intérprete genial e ímpar, realizando vários concertos.
A pianista parte para Milão e em 11 de fevereiro dá uma audição particular no Salão Real do Conservatório. Crítica e público italianos aplaudem Guiomar Novaes. Foi à Suíça e é aplaudida por 3.000 pessoas numa apresentação triunfal em Genebra. Vai ainda para Berlin e Munique na Alemanha. Depois retorna ao Brasil.
Em 25 de junho acontece a sua estreia oficial no Municipal do Rio de Janeiro.
Retorna à sua terra natal São João da Boa Vista.
Guiomar recebe uma carta de um empresário inglês chamando-a para apresentar-se em Londres. Em virtude da situação europeia na época ela recusa o convite e continua a apresentar-se no Brasil. No fim do ano estreia em Nova Iorque.
Estreia em Boston em 28 de fevereiro. Em 6 de junho faz sua estreia com orquestra no Festival de Norfolk. Em 18 de julho Guiomar, acompanhada pela Civic Orchestral Society foi aplaudida por um público de 6.000 pessoas no Madison Square Garden.
Em pleno clima de guerra Guiomar faz uma temporada musical e explode definitivamente no cenário mundial e passa a ser reconhecida como um grande gênio pianístico, culminando com uma grande apresentação no Carnegie Hall acompanhada pela Filarmônica de Nova Iorque. A partir daí Guiomar Novaes aperfeiçoa cada vez mais sua técnica e consolida ainda mais sua carreira, tornando-se inclusive uma grande divulgadora da obra de Heitor Villa-Lobos no exterior.
Participa da polêmica semana de 1922, realizada no Teatro Municipal de São Paulo.
Casou-se com o engenheiro e arquiteto Octávio Pinto.
Nasce sua filha Anna Maria, pouco depois nasceu Luis Octávio.
Recitais no Teatro Municipal de São Paulo (novamente em 1932).
Recital em Manaus, em 27 de fevereiro.
Apresenta-se em um recital beneficente em sua terra natal São João da Boa Vista.
É convidada especial da comemoração dos Direitos Humanos da ONU, em Nova York.
Após 42 anos sem tocar em Londres, foi ovacionada por quinze minutos ininterruptos, por onze mil pessoas que exigiram quatro bis, no recital de inauguração do Teatro Queen Elizabeth.
Retorna à São João da Boa Vista para outro recital beneficente em prol do orfanato Casa das Crianças.
É homenageada em São João da Boa Vista quando foi criada a Semana Guiomar Novaes.
Morre Guiomar Novaes na noite de 7 de março.
Obras e vestígios
Gravações, retratos de imprensa e registros de concertos ajudam a acompanhar a projeção internacional de Guiomar.
Theatre Magazine, 1918Retrato editorial que documenta a circulação internacional de Guiomar nos anos em que sua carreira se consolidava.
Folha da Manhã, 1943Registro de imprensa sobre a presença pública de Guiomar no Brasil.
Retrato de Edwin MarcusImagem de circulação pública que reforça a construção visual de Guiomar como grande intérprete brasileira.
Escuta
Ouvir também é ler.
Uma escuta inicial ajuda a devolver o centro da página à música: gravações históricas, repertório pianístico e memória de interpretação.
Fontes e pesquisa
A leitura cruza o acervo reunido por Neusa com discografia, bases musicais e registros públicos sobre a carreira internacional de Guiomar.
Documento primário: certidão de nascimento preservada no acervo, que fundamenta a data convencional de 28 de fevereiro de 1894, em São João da Boa Vista (o termo traz, por lapso do escrivão, “30 de fevereiro”, sem o ano) (as versões de 1895 e 1896 vêm da imprensa da época, que costumava reduzir sua idade).
Discografia: gravações para a Victor a partir de 1919 — Chopin, Schumann, Beethoven, Bach, Gluck e Saint-Saëns, entre outros —, base de sua projeção internacional ao longo de cinco décadas de palcos nos Estados Unidos.
Pesquisa e referências: Fernando Pereira Binder (levantamento de cerca de cem concertos entre 1902 e 1915); Instituto Piano Brasileiro (enciclopédia e cronologias); Memorial da América Latina, "Pilares de 22"; Carnegie Hall (Latin Music History); teses e artigos da Universidade de São Paulo; SciELO / Revista do Instituto de Estudos Brasileiros.
Galeria
Guiomar Novaes em retrato de juventude.Guiomar Novaes, em retrato da maturidade.Guiomar Novaes, em retrato colorido da maturidade.Guiomar Novaes, em retrato dos últimos anos.Guiomar ao piano, em retrato de concertista.Guiomar ao piano, diante de ouvintes.Guiomar Novaes e o piano, instrumento de toda a sua vida.Guiomar com um dos filhos.Guiomar com o filho ainda bebê.O Theatro Municipal de São João, onde Guiomar se apresentou aos conterrâneos.Programa de recital de Guiomar Novaes no Jockey Club.Capa de disco dedicado às gravações de Guiomar Novaes.